Psicologia Reversa com criança: funciona mesmo?

Tempo de leitura: 5 minutos

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A Psicologia Reversa, quando aplicada com responsabilidade, pode ajudar os pais a lidarem com situações conflituosas do dia a dia. Saiba mais sobre o conceito.

Sempre que você pede ao seu filho para arrumar a cama, comer verduras e legumes, tomar banho ou dormir na hora certa ele reluta? Bem-vindo(a) ao clube. Todos os pais enfrentam problemas com a relutância dos filhos, mais cedo ou mais tarde. E na tentativa de convencê-los a seguir a rotina, é comum que tudo acabe em birra e muito chororô o que, definitivamente, não é bom para ninguém.

Mas é possível (tentar) evitar esse tipo de embate familiar com a ajuda da Psicologia Reversa – técnica de persuasão onde você pede que alguém faça algo, quando, na verdade, deseja que a pessoa faça o contrário do que foi pedido. Quer saber mais sobre o assunto, assim como se o conceito é mesmo efetivo na educação infantil? Então continue a leitura.

Mas, afinal, o que é Psicologia Reversa?

Ao ter seu livre-arbítrio ameaçado, o que você faz? O contrário, certo? Isso é o chamamos de Psicologia Reversa. O princípio do conceito é a liberdade, portanto, quando alguém sente que sua liberdade está sendo ameaçada e faz justamente o contrário do que lhe foi imposto para reafirmar o poder sobre suas ações, ela está sendo “vítima” desta técnica.

Ela é empregada em vários setores da sociedade e, como tudo na vida, também pode ser usada de forma mal-intencionada, com o intuito de manipular pessoas e situações. Porém, quando se trata da educação infantil, é diferente – claro, se os pais a utilizam de forma moderada e com responsabilidade.

Quando usar a Psicologia Reversa com os filhos?

Quando somos crianças, costumamos “testar” os adultos para ver até onde pode chegar a nossa liberdade. Isso ocorre com todos os adultos ao redor: pais, professores, tutores etc. É por este motivo que a Psicologia Reversa funciona com crianças.

Mas engana-se quem acha que todas “caem”. Geralmente, as faixas etárias mais suscetíveis à técnica são as de 2 a 4 anos, fase em que as crianças são mais birrentas e rebeldes. Após esse período, quando a criança torna-se menos teimosa, a Psicologia Reversa vai deixando de surtir efeito.

Como devo fazer?

O conceito pode ser utilizado para fazer com que seu filho coma uma comida saudável, por exemplo. Não que você deva sinalizar que aquele alimento está proibido para ser consumido. O ideal, na verdade, é fazer com que a criança sinta curiosidade em experimentá-lo.

Outra forma de utilizá-la é dizer que o não cumprimento do que lhe foi pedido trará consequências e que a criança será a responsável por elas. Dessa forma, você estará usando a Psicologia Reversa de forma saudável e que não trará prejuízos psicológicos ao seu filho, pelo contrário.

Fique atento(a) ao lado negativo da Psicologia Reversa

Aqui é onde os pais pecam. Ao aplicar o conceito, tome muito cuidado para não fazê-lo de forma negativa. “Ué! Como assim?” Vamos dar um exemplo: se você pedir ao seu filho para fazer uma determinada atividade e ele, por algum motivo, se recusar, evite usar a frase “você não faz nada direito”, “fulano faria melhor do que você”, entre outras (até piores). Além de ser cruel, essa atitude fará com que a criança se sinta incapaz e isso pode causar um dano emocional muito grande nela.

Outro exemplo é quando a criança percebe que você fica satisfeito(a) quando ele descumpre suas ordens. Como ainda não tem maturidade cognitiva suficiente, ela poderá facilmente acreditar e passar a não te obedecer. Cuidado!

Convivemos com ela o tempo todo

Se pararmos para analisar, a Psicologia Reversa está presente no nosso dia a dia e nem nos damos conta. Como? Nas propagandas, quando vemos um gritante “últimas peças”. Dá ou não dá vontade de ir comprar só por serem as últimas peças? Ou quando seu namorado(a) diz que quer ir a um show e você não, aí ele(ela) diz: “Tudo bem, pena que será a última turnê”. Ou ainda quando você apresenta uma pessoa “super legal” ao seu filho, antes de dizer que ela será sua nova professora de química (a matéria que ele detesta). Todos esses exemplos são de aplicação de Psicologia Reversa. Ela está presente em tudo.

(Bons) exemplos para serem aplicados com seu filho

Separamos alguns exemplos simples, mas efetivos, para te ajudar a aplicar a Psicologia Reversa em casa. No entanto, lembre-se que este é um método que não deve ser usado com frequência, pois trata-se de uma forma – mesmo que sutil – de manipulação. Recorra a esses exemplos ocasionalmente e somente quando for realmente imprescindível:

  • Seu filho não quer guardar os brinquedos, mas adora tarefas que envolvam controle de tempo ou competições? Sugira a ele que pegue os brinquedos por cor, uma de cada vez, o mais rápido possível. No fim, tudo estará devidamente recolhido e seu filho, orgulhoso do próprio desempenho;
  • Não peça à criança para fazer algo. Em vez disso, deixe-a escolher entre duas opções. Ex.: na hora de ir para a cama ela se recusa? Questione-a: “Você quer recolher seus brinquedos ou dormir?” Ela vai escolher ir dormir. Principalmente para crianças mais novas, essa dica é bem bacana. Isso porque ajuda a criança a sentir que sua opinião é importante e que ela também participa do processo de tomada de decisão;
  • Chilique no supermercado? Aja como se estivesse se divertindo com o comportamento dele: “Uau! Que piti! Está ficando cada vez melhor! Continue!”

Assim como com qualquer outra técnica, a Psicologia Reversa não vai funcionar sempre. Porém, é importante dizer que para crianças com tendências desafiadoras, aplicá-la – moderadamente, vale relembrar – pode ser divertido e muito eficaz. Em outras palavras, permite que a criançada não só coopere no ambiente familiar, como também mantenha o orgulho e respeito por si próprio.

E você? Se lembra de ter usado essa tática com seu filho? Funcionou?

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